Mesmo diante de um orçamento anual histórico e do crescimento expressivo dos recursos destinados à saúde em Iranduba, moradores continuam denunciando filas recorrentes nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), lotação e a ausência de profissionais para atender a demanda de pacientes no Hospital Regional Hilda Freire. Nem um aparelho de raio-x em funcionamento dispõe o único hospital do município, distante 38 km da capital Manaus.
Na última terça-feira (20), a gravidade na área da saúde da cidade foi exposta, em vídeo, por um morador de Iranduba que levou uma colega de trabalho, vítima de acidente, ao Hospital Hilda Freire. Indignado com a falta de médicos e a quantidade de pessoas aguardando atendimento nos corredores, ele classificou a situação como uma “calamidade pública”.
“A gente veio trazer uma colega de trabalho que sofreu acidente ali em frente da empresa. Procurar um médico, um profissional aqui no Hospital Regional Hilda Freire para atender esse monte de gente. Pessoas chegando aí, passando mal. Casos de urgência e emergência e olha só essa calamidade pública”, disse.
No mesmo vídeo, o denunciante critica o Poder Legislativo e cobra a primeira-dama e secretária municipal de Saúde, Luana Ferraz, diante do cenário. “O que me deixa triste com o poder público é deixar a desejar nessa situação. A gente não sabe com quem mais correr para pedir socorro. Os vereadores, que eram para estar aqui para nos representar, não estão. Então, cara, dizer aqui para a secretária de Saúde, que ela possa dar uma olhada com atenção especial aqui pela nossa saúde. O prefeito [Augusto Ferraz] também”, afirmou.
A situação se torna mais complicada por ocorrer depois de anúncios oficiais de melhorias na área pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de Iranduba, quando a esposa do prefeito, Luana Ferraz, já era a titular do órgão. Em setembro de 2025, a pasta divulgou avanços na reforma do hospital. Passados os meses desde o anúncio e com um orçamento ampliado de mais de R$ 68 milhões para a saúde, em 2026, problemas estruturais e a falta de equipamentos e medicamentos ainda são relatados por usuários da rede pública.
As denúncias ganham peso quando analisadas pelos números oficiais. Dados das Leis Orçamentárias Anuais mostram que, em 2023, ainda no primeiro mandato do prefeito Augusto Ferraz (União Brasil), o orçamento global do município era de mais de R$ 162,3 milhões [R$ 162.360.962,09]. Dois anos depois, em 2025, esse valor saltou para quase R$ 300 milhões [R$ 298.925.312,03], um crescimento de R$ 136,5 milhões ou cerca de 84%. Para 2026, a Prefeitura de Iranduba detém um orçamento ainda maior, de mais de R$ 350,1 milhões [R$ 350.193.899,00], o que consolida uma expansão acumulada de mais de R$ 187 milhões em quatro anos. Uma alta superior a 115%.
O orçamento municipal cresce em paralelo à ampliação dos recursos da saúde. Em 2023, antes da atual gestão da Semsa, a pasta contava com pouco mais de R$ 34 milhões [R$ 34.017.377,84]. Mas em 2025, primeiro ano sob a administração de Luana Ferraz, a verba do órgão subiu para mais de R$ 54,1 milhões [R$ 54.111.947,65], um aumento de R$ 20,09 milhões, equivalente a mais de 59%. Para 2026, a Lei Orçamentária Anual prevê R$ 68.202.974,34 para a saúde, representando um novo acréscimo de 26% em relação a 2025 e uma alta acumulada de 100,5% em comparação a 2023. O orçamento da pasta mais que dobrou em quatro anos.
Em 2025, a Semsa também ganhou reforços adicionais, com R$ 6,5 milhões em créditos suplementares para o Fundo Municipal de Saúde. Dinheiro do SUS compensado por emendas parlamentares da União nos valores de R$ 1,5 milhão, R$ 2 milhões e R$ 3 milhões [R$ 3.000.055,00].
No ano passado, o município ainda contratou R$ 44 milhões em empréstimos junto ao Banco do Brasil. Foram R$ 29 milhões para a construção, reforma e revitalização de feiras e mercados e R$ 15 milhões para o financiamento de despesas de capital previstas no Plano Plurianual (PPA) e na Lei Orçamentária Anual (LOA). Essas operações de crédito ampliam a margem fiscal da Prefeitura de Iranduba e permitem maior flexibilidade para a autorização de mais recursos na LOA, que inclui áreas como a saúde.
O aumento do orçamento municipal, o crescimento dos recursos da Semsa e a persistência de problemas básicos na rede pública levantam questionamentos dos moradores sobre a competência da gestão, a prioridade nos investimentos e a execução da verba pelo órgão.
Especialistas em contas públicas ressaltam que a manutenção de gargalos, como filas, demora no atendimento e falta de equipamentos nas unidades de saúde, comprova a necessidade de transparência ampliada, fiscalização permanente e prestação detalhada de contas pela Prefeitura de Iranduba sobre como os recursos estão sendo aplicados na área.
Fonte: Vivian Oliveira


