Um marco ambiental decisivo para a Região Norte, defendido por ambientalistas, pela sociedade civil e totalmente alinhado às diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), legislação federal conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente começa a ganhar forma em Iranduba. Após mais de cinco anos de estudos, planejamento e construção técnica, o Parque de Soluções Ambientais se prepara para se instalar no município, localizado a apenas 25 km da capital, em plena Região Metropolitana de Manaus. Iranduba, reconhecida por seu vasto patrimônio arqueológico e por ser um dos destinos turísticos mais belos do Amazonas, com balneários e forte tradição artesanal, se posiciona agora como polo de inovação ambiental.
Idealizado pela Norte Ambiental, empresa que há 16 anos é referência em gestão ambiental e integra o Grupo Bringel, o projeto nasce com a robustez de quem já atua em 15 capitais brasileiras nas áreas de meio ambiente, saúde pública e privada, agropecuária, construção civil e logística. O Parque de Soluções Ambientais conta com um investimento estimado em R$ 200 milhões, sem utilização de recursos públicos, e já possui aprovação do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). Trata‑se de uma iniciativa estruturada para elevar o patamar da gestão de resíduos no estado, consolidando um modelo sustentável e tecnicamente avançado para toda a região.
Para o diretor da Norte Ambiental, Winsber Wasques, o objetivo do Parque de Soluções Ambientais é justamente transformar Iranduba de um cenário de passivo ambiental para um modelo de desenvolvimento sustentável. “Vamos construir algo exemplar, capaz de se tornar uma referência nacional em meio ambiente, indo muito além da simples disposição de resíduos e adotando práticas verdadeiramente sustentáveis”, afirma.
Para alcançar esse propósito, o projeto incorpora tecnologias e processos de última geração. Entre eles, destaca‑se a triagem mecanizada dos resíduos, com equipamentos que separam, de forma eficiente, materiais recicláveis como plástico, vidro, metais e papel, ampliando a recuperação de recursos e fortalecendo a cadeia da reciclagem. Outro eixo fundamental é a produção de adubo de alta qualidade, obtido a partir de resíduos orgânicos, destinado especialmente ao fortalecimento da agricultura familiar da região, promovendo economia circular e geração de renda.
Além disso, o parque contará com impermeabilização do solo por meio de mantas de PEAD (Polietileno de Alta Densidade), que impedem a infiltração do chorume no lençol freático; tratamento de chorume com sistemas biológicos e físicos capazes de remover contaminantes com alta eficiência; e aproveitamento energético do biogás, captando metano gerado pela decomposição dos resíduos para a produção de energia elétrica ou biometano, reduzindo emissões e contribuindo para o enfrentamento das mudanças climáticas. Todo o complexo operará sob rígidos protocolos de licenciamento e monitoramento ambiental, garantindo conformidade e excelência operacional.
O QUE TEM HOJE
Por décadas, o lixo de Iranduba teve como destino um lixão a céu aberto. Agora, o município pode entrar para a história como o primeiro do Amazonas a cumprir integralmente a legislação federal e dar ao lixo uma destinação ambientalmente adequada.
Com cerca de 61 mil habitantes e crescimento acelerado após a inauguração da Ponte sobre o Rio Negro, em 2011, o município de Iranduba vive, portanto, um momento decisivo. A construção do Parque de Soluções Ambientais representa não apenas o fim de um lixão que opera há mais de 30 anos, mas uma mudança estrutural na política ambiental local. O atual lixão, localizado no Km 6 da Rodovia Manoel Urbano, é histórico. A céu aberto, sem impermeabilização do solo ou controle de efluentes, o local contribuiu ao longo de décadas para a contaminação do solo e de igarapés, além da proliferação de vetores de doenças, como ratos e insetos.
O novo Parque Ambiental, instalado no Km 19 da mesma rodovia, opera sob outro conceito: o de aterro sanitário moderno, com engenharia ambiental aplicada. Na prática, trata-se da transição de um modelo poluente e irregular para um sistema controlado, fiscalizado e planejado 24 horas por dia — exatamente como exige a legislação federal. “Especialistas em gestão de resíduos lembram que o encerramento de lixões é uma das metas mais atrasadas no país, especialmente na Região Norte. Dados nacionais mostram que milhares de municípios ainda operam em desacordo com a lei, o que transforma a iniciativa de Iranduba em potencial referência regional”, explica Wasques.
AMAZÔNIA EXIGE PADRÃO ELEVADO
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Governo Federal, enfrentar o desafio do lixo urbano e a destinação adequada dos resíduos sólidos exige “vontade política e ampla coordenação entre os setores público e privado para garantir saneamento universal e o fim dos lixões no Brasil”, de acordo com entrevista à CNN Brasil.
A ministra Marina Silva afirmou, inclusive, que ações como pactos com municípios e a articulação de parcerias múltiplas são essenciais para que o país avance em soluções concretas e sustentáveis na gestão de resíduos, com atenção especial à erradicação de lixões e à construção de aterros sanitários ambientalmente corretos como forma de proteger os ecossistemas e a saúde pública.
E não é pra menos. Implantar um aterro sanitário no coração da Amazônia exige rigor técnico redobrado. Por isso, além das estruturas de engenharia, o projeto inclui acompanhamento ambiental permanente. Equipes formadas por engenheiros florestais, engenheiros ambientais, biólogos e veterinários monitoram a área, classificada como vegetação secundária, tudo conforme o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) apresentados ao Ipaam.
Um centro de triagem temporário foi montado dentro do próprio canteiro de obras para atender animais silvestres eventualmente encontrados na área. O espaço conta com médico veterinário e auxiliares de plantão. Animais aptos são devolvidos à natureza; os que necessitam de cuidados especializados são encaminhados para clínica em Manaus, com todo o processo documentado e comunicado ao órgão ambiental. Também há atenção específica às epífitas, como orquídeas e bromélias, com monitoramento e registro técnico conforme determina a legislação ambiental.
De acordo com o diretor Winsber Wasques, mais do que uma obra de infraestrutura, o Parque de Soluções Ambientais enfrenta diretamente um tema essencial: a saúde pública. “Em um estado que abriga a maior floresta tropical do planeta, manter lixões ativos se tornou uma contradição insustentável. A iniciativa da Norte Ambiental dialoga com compromissos ambientais nacionais e internacionais e reforça a ideia de que desenvolvimento urbano e proteção ambiental não são agendas opostas, mas complementares”, destaca.
Fonte: Press Comunicação


