Publicação bilíngue guarani mbya – português da editora Riacho reúne desenhos, colagens e histórias do autor e será apresentada na Banca do Meio da FAE em Porto Alegre (RS)
No livro Mbya Nhenhandu Reko, a essência da sabedoria guarani (Riacho, 2026, 148 págs, R$ 70,00), José Verá conta um pouco da história de sua vida, de sua aldeia e de seu povo. Em imagens, José apresenta plantas, animais e divindades, compartilhando a cosmologia guarani com o leitor. Os contos foram transmitidos oralmente ao professor guarani Francisco Alves, que transcreveu em língua guarani e a traduziu para o português.
A inauguração da campanha de lançamento do livro acontece no dia 21 de março (sábado), na FAE – Feira de Agricultores Ecologistas (Banca do Meio | primeira quadra da Rua José Bonifácio, Porto Alegre), às 9hs, com a presença do artista, com bate-papo que terá intérprete de Libras. Os exemplares também podem ser adquiridos na livraria Via Sapiens (R. da República, 58 – Cidade Baixa).
O livro foi produzido de forma colaborativa entre a comunidade guarani da Tekoa Yvyty Porã e a equipe não indígena. O processo e o cotidiano na aldeia foram registrados em vídeo e fotografia por quatro jovens comunicadores mbya guarani e estarão disponíveis na página riacho.me/josevera.
Na conclusão do lançamento e circulação do livro Nhemombaraete Reko RaꞋi (2021), José Verá foi presenteado com um conjunto de papéis em alta gramatura e materiais de desenho com diversas cores e texturas. Na visita seguinte da equipe não indígena à aldeia Tekoa Yvyty Porã (Aldeia Campo Molhado, Terra Indígena Guarani Barra do Ouro), localizada em Maquiné (RS), os materiais já estavam todos cobertos de desenhos, grafismos, colagens e seres mitológicos. Passados cinco anos, um novo livro toma forma.
José Verá, de 75 anos, desenha a partir da inspiração que o guia. “A criança cresce na aldeia, a escola é na aldeia junto com as famílias. E Nhanderu [criador do mundo guarani] é o meu governo e também é o meu professor. Então foi ele que me escolheu. Eu nasci para isso mesmo”, explica. Produzidos a lápis, canetas e canetinhas, os desenhos espelham a espiritualidade e a história de resiliência do povo Mbya Guarani.
A arte e sabedoria de José Verá vem repercutindo e ganhando espaço em exposições de arte e feiras de literatura. Recentemente recebeu um lugar especial na cultura do RS, o MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul adquiriu sete obras do artista para o seu acervo. Com abertura prevista para abril, o MARGS inaugura, em seu primeiro andar, uma exposição da arte de José Verá, a primeira montagem individual de um artista indígena que reside no Rio Grande do Sul (mais informações em margs.rs.gov.br).
O projeto foi executado com recursos da SEDAC/RS, PRÓ-CULTURA no Edital nº 31/2024 PNAB RS – Memória e Patrimônio pela AEPIM (Associação de Estudos e Projetos com Povos Indígenas e Minoritários), organização não governamental que atua desde 2009 em parceria com povos indígenas, quilombolas, comunidades pescadoras e de agricultura familiar (@aepimrs/aepim.org.br). A publicação tem edição e projeto gráfico do selo editorial Riacho (@riacho.me/riacho.me) ativo desde 2016 com foco no fazer poético e na diversidade socioambiental.
Serviço
Lançamento de “Mbya Nhenhandu Reko”, novo livro da arte visionária mbya guarani de José Verá
Lançamento: dia 21/03/26 (sábado de manhã), às 9h, na Banca do Meio da FAE – Feira dos Agricultores Ecologistas (Rua José Bonifácio, Porto Alegre)
Entrada franca
Site: http://www.riacho.me/josevera
Ficha técnica
Título: Mbya Nhenhandu Reko, a essência da sabedoria guarani
Autor: José Verá
Edição: Riacho
Produção: AEPIM
Número de páginas: 148
Preço de capa: R$ 70,00 (preço no lançamento de R$ 60,00)
Onde comprar: Via Sapiens (R. da República, 58 – Cidade Baixa, Porto Alegre)
Trecho: “Para receber o nome das meninas, Nhanderu pede para plantar o milho. O milho é como uma menina. Quando brota, e cresce, a espiga de milho fica com cabelo igual a uma mulher. O pé de milho é como a imagem de uma mulher que carrega o filho no colo, ou na cintura. Sem o milho, as meninas guarani não recebem seu nome sagrado. Os rituais dos nomes são realizados no tempo da renovação do ciclo da natureza, chamado de ara pyau, ou ano novo guarani..” (Avaxi, Milho – Mbya Nhenhandu Reko, a essência da sabedoria guarani)
Créditos:
Desenhos e histórias: José Verá
Transcrição mbya guarani e tradução para português: Francisco Moreira Alves
Revisão mbya guarani: Francisco Moreira Alves e Rodrigo Mariano Verá Yapuá
Projeto gráfico e organização: Dani Eizirik, Iana Scopel Van Nouhuys, Kátia Zanini e Sérgio Guidoux
Apoio: Beatriz Gimenes e Ramon Brizoela
Comunicadores guarani: Junior Tataendy Rodrigues, Chaiane Rodrigues Brizoela, Fernanda Rodrigues Brizoela, Sandieli Rodrigues Benites, Luis Fabiano Vera Popygua da Silva.
Fotografias: Sérgio Guidoux e acervo pessoal do autor
Realização: Aepim – Associação de Estudos e Projetos com Povos Indígenas e Minoritários
Edição: Riacho, extremo sul da mata atlântica, verão de 2026. – @riacho.me / www.riacho.me—
Fonte: Isidoro B. Guggiana – Assessoria de Imprensa


