Estacionamento vira espaço cênico para o espetáculo ‘Destruição’, em Manaus

Com autoria de Francisco Rider, a obra será apresentada nos dias 12, 19 e 26 de setembro e 3 e 10 de outubro, na região central da capital

MANAUS/AM – Uma casa que fazia parte das memórias de infância do artista Francisco Rider deixou de existir para dar lugar a um estacionamento. A experiência tornou-se o ponto de partida para “Destruição”, espetáculo que será apresentado nos dias 12, 19 e 26 de setembro e 3 e 10 de outubro. O encontro com o público ocorre às 16h45, em frente ao SEBRAE Amazonas, localizado na rua Leonardo Malcher, Centro. Os ingressos custam R$ 25 e R$ 10 (meia). A classificação indicativa é de 15 anos.

Com direção e dramaturgia de Francisco Rider, “Destruição” nasceu das andanças do artista pela cidade. Essas caminhadas integram suas pesquisas artísticas há cerca de duas décadas e contribuem para o desenvolvimento de seu doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAV/UFRGS).

“A dramaturgia surge das minhas ‘baterpernações’ por Manaus. Eu sempre me deparava com essa casa que fazia parte das minhas memórias de infância manauara entre as décadas de 1960 e 1970. Para minha surpresa, recentemente, essa casa foi destruída para dar lugar a um estacionamento”, relata Rider.

A experiência abriu caminho para uma dramaturgia sobre as transformações da paisagem manauara, marcada pela substituição de casas, áreas verdes e outros espaços de convivência por estruturas voltadas ao comércio e à circulação urbana.

“A destruição de arquiteturas e paisagens (flora, fauna) é um dado muito presente nas entrelinhas do texto dramatúrgico”, pontua o artista.

Memórias sob o concreto

O espetáculo conta a história de Dona Zúr, uma mulher de 80 anos e ex-moradora da casa destruída, que é interpretada por Koia Refkalefsky, atriz mais longeva da cidade de Manaus, com atuação contínua.

Depois da demolição, ela passou a viver em um abrigo de idosos, mas continua retornando ao lugar onde viveu parte de sua história.

Ela guarda lembranças de um quintal cheio árvores frutíferas, uma horta e um igarapé. À margem desse riacho, vive uma Entidade Planta, personagem interpretada pela atriz Bruna Pollari. 

A entidade, que não é homem nem mulher, permanece naquele território, mesmo depois que a paisagem natural deu lugar ao concreto e ao asfalto.

Em um desses retornos, elas se encontram e iniciam um ritual de narração de memórias, lembranças, delírios e acontecimentos do presente.

“Destruição tem vários sentidos que coadunam com as  memórias de Dona Zúr, como ruína, aniquilamento, demolição, devastação e extinção”, explica Rider.

A história de uma mulher atravessa a história da cidade

As memórias de Dona Zúr percorrem diferentes períodos de Manaus, desde a chegada da Zona Franca, que provocou mudanças na cidade, nas relações sociais e nos hábitos de consumo, até questões presentes na sociedade contemporânea.

A narrativa também aborda a destruição do meio ambiente, o racismo religioso e diferentes formas de violência, como a homofobia, por exemplo. Esses episódios se cruzam com as transformações da paisagem, criando diferentes camadas dentro da dramaturgia.

Nesse contexto, o passado não aparece separado do presente. A experiência de Dona Zúr no antigo quintal se mistura às mudanças da cidade, enquanto a Entidade Planta permanece como testemunha e presença ancestral naquele espaço transformado.

O público percorre a memória

A relação com o espaço começa antes da apresentação. Rider conduz o público para o lugar que inspirou a dramaturgia e apresenta a fotografia da casa que fez parte de sua infância.

O relato recupera a paisagem existente naquele espaço, onde Rider, os irmãos e a vizinhança brincavam.

Ali, em meio a um cenário cinza, o espetáculo convida o público a reconstruir, pela imaginação, a casa, o quintal, o animal de estimação e o igarapé que um dia fizeram parte da vida de D. Zúr e de sua família.

O espaço escolhido para as apresentações possui ventilação e áreas de sombra. Ainda assim, devido ao verão manauara, é recomendado o uso de tênis e uma garrafinha de água.

Criação independente em movimento

“Destruição” tem direção e dramaturgia de Francisco Rider e atuação de Bruna Pollari e Koia Refkalefsky. A paisagem sonora é de Vivian di Oliveira, em processo colaborativo. A direção de cena também é de Francisco Rider, com assistência de direção de cena de Marcos Túlio e Ivana Andrade. O trabalho de corpo é desenvolvido por Rider e Bruna Pollari.  

A visualidade do espetáculo nasce de um processo colaborativo, que inclui a criação do figurino pela equipe.  Jady Castro assina o design e a confecção do sapato da Entidade Planta. A costura é de Dona Preta Scantbelruy e  assistência de produção é de Carlos Matheus.

A realização é da Cênicas Corporais Uma, com apoio do Colégio Estadual Dom Pedro II/SEDUC.

FOTOS: Francisco Rider

SERVIÇO

O quê: Espetáculo cênico “Destruição” (Cênicas Corporais Uma)

Quando: Dias 12, 19 e 26 de setembro e 3 e 10 de outubro (Sábados), sempre às 16h45

Onde: Em frente ao SEBRAE Amazonas (Rua Leonardo Malcher, Centro)

Quanto: R$ 25 (Inteira) e R$ 10 (Meia)

Classificação: 15 anos

Por : Vívian O. da Silva

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