O período de campanha para a eleição da nova diretoria do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), maior unidade acadêmica da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), começou na última quarta-feira, 4 de março, e segue até o dia 23 deste mês.
Entre as chapas concorrentes está a “IFCHS Coletivo e Inclusivo”, que tem como candidata à reeleição a professora Dra. Iraildes Caldas e como candidato a vice-diretor o professor Dr. Tiago Maiká. A chapa apresenta um balanço das ações desenvolvidas nos últimos quatro anos e propõe, para o ciclo 2026–2030, a ampliação da infraestrutura da unidade, a retomada de espaços físicos perdidos com a criação de outras unidades acadêmicas e o fortalecimento da Licenciatura Indígena e da pós-graduação no interior do Amazonas.
Entre as principais propostas está a luta pela construção de um novo prédio para o IFCHS — uma demanda histórica da unidade. O plano inclui ainda a reforma de auditórios, banheiros e blocos administrativos, melhorias em salas de aula e laboratórios, aquisição de novos equipamentos, fortalecimento dos espaços estudantis e ampliação das políticas de assistência aos estudantes.
Outro eixo estratégico é a continuidade e a conclusão das seis turmas da graduação em Licenciatura Indígena: Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável, ofertada em São Gabriel da Cachoeira, município localizado a 852 quilômetros de Manaus. A chapa também defende a ampliação da oferta de cursos de pós-graduação no interior do Amazonas, a exemplo das iniciativas já existentes no Alto Rio Negro e em Carauari, no Rio Juruá.
Segundo Iraildes Caldas, o crescimento acadêmico do instituto exige que os avanços estruturais acompanhem a expansão da unidade. “O IFCHS cresceu muito nos últimos anos, com ampliação da graduação e da pós-graduação. Esse avanço precisa ser acompanhado de melhores condições estruturais para que possamos continuar contribuindo com a formação dos estudantes e com a produção qualificada de conhecimentos na Amazônia. Defendemos uma gestão baseada no diálogo, na construção coletiva e no compromisso com a democracia, a cidadania e com a inclusão social. Nossa universidade precisa ser mais inclusiva”, afirmou.
A candidata também destaca a luta para ampliar o número de Técnicos Administrativos em Educação (TAEs), o apoio à qualificação desses profissionais — incluindo a realização de cursos de graduação e pós-graduação — e a criação de uma secretaria única para o IFCHS, com o objetivo de otimizar o trabalho administrativo da unidade.
Balanço da Gestão
Como parte do balanço da atual gestão, a chapa destaca melhorias estruturais e investimentos em equipamentos realizados nos últimos quatro anos, viabilizados por meio de articulação institucional junto à Administração Superior da UFAM e pela captação de recursos, inclusive por emendas parlamentares.
Entre as ações executadas estão a aquisição de dois veículos modelo Chevrolet Spin para atender atividades de campo dos estudantes, a reposição de carteiras em salas de aula, substituição de aparelhos de ar-condicionado, instalação de projetores, troca de quadros brancos, reparos em banheiros e bebedouros e da reforma do bloco Rio Uatumã, que abriga programas de pós-graduação e laboratórios. Também ocorreu a reconstrução dos espaços físicos dos Centros Acadêmicos, fortalecendo assim a organização estudantil.
Atualmente, o IFCHS reúne os cursos de graduação: Ciências Sociais (Bacharelado e Licenciatura), Geografia (Bacharelado e Licenciatura), Filosofia (Bacharelado e Licenciatura), História (Licenciatura Matutina e Noturna), Serviço Social (Bacharelado Vespertino e Noturno) e Licenciatura Indígena em Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável. Também possui programas de pós-graduação; mestrado e doutorado em Sociedade e Cultura na Amazônia, oferecidos em São Gabriel da Cachoeira; e um curso de mestrado em Geografia, no município de Carauari, a 780 quilômetros da capital.
A partir disso, o IFCHS é reconhecido pela produção acadêmica voltada a temas centrais da realidade amazônica, dentre eles: território e territorialidade; processos socioculturais, diversidade e interculturalidade; questões indígenas; pautas de existência do sujeito e identidade amazônica, além de pesquisas relacionadas a direitos sociais e políticas públicas. A unidade também possui histórico de participação em debates e lutas sociais na região.
Para o candidato a vice-diretor, Tiago Maiká, a experiência administrativa e a capacidade de diálogo são os diferenciais da chapa. “A atual gestão construiu iniciativas importantes para os cursos e para os estudantes, sempre com diálogo entre os diferentes segmentos da comunidade acadêmica. Em uma unidade com múltiplos cursos e realidades distintas, essa capacidade de articulação é fundamental”, destacou.
Debates e votação
O primeiro debate público entre as chapas será realizado na próxima quinta-feira, 12 de março, das 9h às 11h, em formato online. O segundo ocorrerá no dia 20 de março, das 19h às 21h, no auditório Rio Solimões. A votação está marcada para o dia 24 de março, das 8h às 22h, de forma eletrônica, pelo site oficial do IFCHS: https://ifchs.ufam.edu.br/. O resultado final será divulgado no dia 26 de março. De acordo com a unidade, cerca de 600 estudantes de graduação e pós-graduação estão aptos a votar, além de docentes e técnicos administrativos.
Sobre os candidatos
Iraildes Caldas Torres atua na UFAM desde 1993. É doutora em Ciências Sociais/Antropologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e realizou pós-doutorado na Université Lumière Lyon 2, na França. É Professora Titular do curso de Serviço Social e Bolsista Produtividade da Fapeam. Atualmente desenvolve pesquisa no tema das mulheres indígenas,especificamente com as mulheres Mura de Autazes.
Já Tiago Maiká é doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia e graduado em Geografia pela UFAM. É professor do Departamento de Geografia, integra o Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGEOG) e coordena o Laboratório de Planejamento e Gestão do Território da Amazônia – Dabukuri.
Fonte: Up Comunicação Inteligente – Emanuelle Aráujo