Distribuidora também exibirá ‘As Crianças estão Bem’, duplamente premiado no Karlovy Vary International Film Festival
Dois longas da Autoral Filmes são destaques no Festival do Rio deste ano. “Cartas Amarelas” (“Gelbe Briefe”), do alemão Ilker Çatak, grande vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2026, e “As Crianças estão Bem” (“Les Enfants Vont Bien”), do francês Nathan Ambrosioni. O evento carioca acontece entre 1 e 11 de outubro.
Indicado ao Oscar de Filme Internacional por “A Sala do Professores”, Çatak faz em “Cartas Amarelas” um drama político que acompanha Derya e Aziz Tufan (Özgü Namal e Tansu Biçer), um casal de artista de teatro bem-sucedido que, depois de um incidente na estreia de sua nova peça, perdem o emprego, e passam a ser perseguidos pelo Estado.
“Houve demissões em massa na Turquia — algo de que eu já sabia e sobre o qual um amigo meu, que trabalhava com teatro, me falou. Ele foi demitido sem motivo aparente — ou por algo trivial, como fumar nos bastidores ou algo do gênero. Por outro lado, eu estava em busca de uma história sobre casamento. O casamento é um tema sobre o qual eu realmente queria fazer um filme, pois é uma instituição fascinante. Há o amor e o afeto, mas, ao mesmo tempo, existe o abismo, a frieza e tudo o mais que isso envolve. Então, achei interessante juntar esses dois elementos e propor: que tal fazermos um filme sobre o casamento inserido em um contexto político muito difícil de lidar?”, contou o cineasta em entrevista.
Ele ainda aponta que “Cartas Amarelas” lida com questões universais. “Você precisa decidir com quem vai se aliar — falando metaforicamente. Com quem você está trabalhando? Quem são seus parceiros? Está trabalhando com uma empresa conhecida por um chefe que vive demitindo gente no Washington Post? Essa questão não se limita à Turquia ou à Alemanha. Acho que todos nós precisamos estar cientes de que, em grande parte da nossa mídia, a política tenta ditar como ela deve ser. E nós, como contadores de histórias, não estamos imunes a isso, pois, naturalmente, eles tentam nos atrair.”
Já o francês “As Crianças estão Bem” centra-se no desaparecimento voluntário de uma mulher adulta, Suzanne (Juliette Armanet), que, antes de sumir, deixa suas filhas com sua irmã, Jeanne (Camille Cottin).
Ambrosioni, que também assina o roteiro, conta que se interessou pelo tema a partir de uma peça de teatro sobre um homem que opta por sumir de sua vida, e deixa sua mãe sozinha. “A partir daí, a ideia de ‘desaparecimento voluntário’ passou a me assombrar. Eu queria entender. Então é possível desaparecer, e até se tem esse direito… Fiquei tomado por um sentimento de raiva, achava inadmissível impor isso a uma família. Foi na mesma época em que minha irmã partiu de um dia para o outro para o outro lado do mundo, para a Nova Zelândia. Mas eu ainda não fazia a ligação entre os dois acontecimentos. Só mais tarde, quando comecei a escrever, quando a raiva já havia se dissipado, percebi que tinha novamente vontade de falar sobre a família.”
O cineasta explica, também, que essa história tinha que ser sobre personagens femininas. “Eu queria um filme centrado principalmente em protagonistas femininas. As mulheres e as crianças são um espaço seguro para mim. Me sinto bem com as atrizes, me sinto mais compreendido, o diálogo é mais fácil. Talvez isso mude. Embora com Guillaume Gouix também tenha sido muito fluido! Além disso, para Jeanne, eu queria — sendo eu mesmo queer — uma personagem queer, porque considero importante contar histórias em que isso não seja estigmatizado, mas sim normalizado. Nunca imaginei essa história de outra forma senão vivida por uma mulher queer, sem que nenhuma cena colocasse em questão sua sexualidade ou a apresentasse como um tema central da narrativa.”
“Cartas Amarelas” (“Gelbe Briefe”)
Derya e Aziz são um casal de artistas consagrados de Ancara que leva uma vida tranquila ao lado da filha de 13 anos. Após um incidente na estreia de sua nova peça, os dois passam a ser perseguidos pelo Estado, perdem seus empregos e precisam enfrentar as consequências dessa ruptura em suas vidas profissionais, familiares e pessoais.
- 03/10 (sáb), às 21h45min – Cinesystem Belas Artes Botafogo, sala 6
- 07/10 (qua), às 17h00min – Estação Claro Gávea, sala 5
- 10/10 (sáb), às 19h00min – Kinoplex São Luiz, sala 2
“As Crianças estão Bem” (“Les Enfants Vont Bien”)
Numa noite de verão, Suzanne, acompanhada dos dois filhos pequenos, faz uma visita inesperada à irmã Jeanne. Esta última é pega de surpresa. Elas não se veem há vários meses e, além disso, Suzann parece ausente de si mesma. Ao acordar, Jeanne descobre, atônita, o bilhete deixado pela irmã. O choque dá lugar à raiva quando, na delegacia, Jeanne entende que nenhuma investigação poderá ser aberta: Suzanne fez a escolha insensata de desaparecer e deixar os filhos para trás…
- 02/10 (sex), às 21h15min – Reserva Cultural Niterói, sala 1
- 03/10 (sáb), às 16h – Cine Santa Teresa
- 05/10 (seg), às 14h15min – Cinesystem Belas Artes Botafogo, sala 6
- 09/10 (sex), às 19h – Kinoplex São Luiz, sala 2
Sobre a Autoral Filmes
A Autoral Filmes, fundada no início de 2025, teve sua origem através dos sócios do Paradigma Cine Arte, Felipe Didoné e sua mãe, Marize Didoné, que desde 2010 mantém a sala de cinema que é uma instituição cultural em Florianópolis (SC).
A Distribuidora vem do desejo dos sócios de ampliar as atividades no mercado do cinema, replicando na distribuição o mesmo conceito de filmes independentes e de arte que formam seu conceito na exibição.
Como seu nome deixa claro, a Autoral Filmes terá seu foco no cinema de autor e em documentários de arte, focando em produções escolhidas a dedo, tanto nacionais como estrangeiras, prezando sempre a alta qualidade dos filmes.
Para Felipe Didoné, diretor da distribuidora, “a Autoral Filmes é a realização de um sonho, de expandir os horizontes para além da distribuição, mantendo a curadoria elegante que sempre foi o diferencial do Paradigma Cine Arte”.
Fonte: Patrícia Rabello


