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4ª Bienal Black Brazil Art divulga artistas selecionados

Evento reúne produção de 125 artistas de todo país – atração acontece em Recife no último trimestre de 2026​

O mapa da arte negra brasileira acaba de ganhar novos nomes. A Bienal Black Brazil Art (BB) divulgou na última segunda-feira (1), a lista oficial de artistas selecionados para a sua 4ª edição. Ao todo, participam 125 artistas de todo o país. A relação completa pode ser conferida no site oficial da Bienal Black e nos canais da BB. O evento acontece no último trimestre de 2026, em Recife (PE), com atividades no Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães (MAMAM), Museu da Abolição e Museu Cais do Sertão.

Os trabalhos apresentados atravessam linguagens – performance, videoarte, instalação, fotografia, escultura, pintura, arte têxtil – e geografias diversas. A seleção traz artistas do Sudeste (57), Nordeste (40), Sul (11), Centro-Oeste (5) e Norte (4), além de participantes da Alemanha, Canadá, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Porto Rico e Portugal. Do Nordeste, destacam-se a produção da Bahia (14) e Pernambuco (11). Ao todo, a convocatória da BB recebeu 338 inscrições no início do ano.

A 4ª edição da Bienal não se resume ao que acontecerá nos museus da capital pernambucana. A programação propõe uma arquitetura de conexões que rompe os limites territoriais do evento. Através da mobilidade curatorial e espaços virtuais, a bienal articula processos artísticos, residências, trocas e resultados de práticas que envolvem criadores e espaços no RS, BA, Porto Rico e Canadá – uma cartografia diaspórica que coloca a produção negra brasileira em diálogo com experiências das Américas e além.

“Essa dimensão internacional não é ornamental. É estrutural”, explica a organizadora Patricia Brito. “A BB parte do princípio de que a arte negra produzida no Brasil existe dentro de uma rede histórica e contemporânea mais ampla – a da diáspora africana -, e que os intercâmbios entre esses territórios geram camadas de sentido que nenhuma exposição realizada num único espaço físico seria capaz de abarcar”, elabora.

A escolha de Pernambuco para receber a 4ª edição da Bienal Black nasce da força histórica, cultural e simbólica desse território. Recife é uma cidade marcada por encontros, disputas e permanências: quilombos, maracatus, movimentos negros de longa trajetória e uma produção afrodiaspórica viva. Em meio a essas camadas, a Bienal Black realizará ações e atividades em conexão com espaços culturais importantes da cidade.

A 4ª Bienal Black Brazil Art é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio do Banco BV, parceria de divulgação do Portal SoteroPreta (Salvador-BA) e produção da Black Brazil Art.

Artistas selecionados

Amanda Vendramin (RJ), Ana Maria Reis (SP), Alessandro Celante (SP), Alícia Monteiro (PE), Ahisamar Antonia Rosario Romero (Porto Rico), Artigiani (SP), Aldenor Prateiro (RN), Alex Roch (SP), Andre Miagui (SP), Alexia Lara (SP), Audrian Cassanelli (SC), Alice Rheingantz (MG), Ana Carolina Vidal (BA), Andréa Müller (SP), Anna Motta (BA), A Transälien (SP), ACÁ (SP), Aaaalexandra Martins (BA), Argos (PE), Amelia Serpa (BA), Babu78 (MT), Brunna Alexsandra (RS), Bea Palma (RJ), Bárbara Baltazar (SP), Coletivo Nos Duas – Luciana e Dulciney (SP), Carlos França (PB), Coletivo Vivedoras de Ganho – Adinelson Souza / Livia Passos / Luzimar Azevedo (BA), Cecifrance Aquino (PR), Carla dos Santos (RJ), Clara Lins (MG), Caró (MA), Camille Moreira (BA), Dalmoni Lydijusse (MG), David J. Amado (Portugal), Dady Simon (SP), Deia Lima (PA), Denise Marinho (RJ), Diogo Nógue (SP), Daniel Silva (SP), DaSilva (SP), Ellen Camacho (PB), Evamm (SC), Endy (SP), Edward Santiago (Porto Rico), Ester Corrêa (PB), Eric Albernaz (DF), Gadiel Rivera Herrera (Porto Rico), Gio Hemb (RS), G!slane (RJ), Gerson Ipiraja (PE), Giovanna Pizzini (MG), Helen Salomão (BA), Hugo Martins (BA), Isabella Haru (CE), Isabel Miranda (MG), Izabelle Brum (RJ), Jose Arturo Ballester Panelli (Porto Rico), Jean BACO Ortiz (Porto Rico), Joyce de Jesús Martínez (Porto Rico), Jeff Seon (RJ), Jennifer Lima (PE), Josué Castilho França (PA), João Genaro (RS), João Nascimento (SP), J Melo (PE), Jaqueline Nascimento (BA), Jurebah (RJ), Zed’Melo (PE), Jorly Flores (Porto Rico), Kel Galdino (RJ), Katya Regina Mendes Barros (RJ), Kathy Moscou (Canadá), Kal Yoga (PB), Khell Santana (CE), Li Monteiro (AL), Laiy Yapoatan (PE), Lemagidé Coletivo (RJ), Luiz Gustavo Nostalgia (RJ), Laura Gondim De Micheli (Canadá), Laura Conti (MG), Lucas Bonilha (RJ), Luciana Ferreira (PR), Lucas BRACO (SP), Lu Morgado (SP), Lui Guimarães (SP), Livia Passos (BA), Laysla Roberto (SP), Mika (PI), Mariana Teles Feitosa (SE), Matheus de Souza (RJ), Murillo Marques (RJ), Mari Galli (Alemanha), NegroSoousa (CE), Nyca (PI), Neske (SP), Nie Hendrix (RJ), Natany Rodrigues (PA), Naywá Moura (PE), Nell Pimentel (EUA), Pâmela Peixoto (MG), Pedra Silva (CE), Priscila Nascimento (PE), Patricia Dias Belaestilosa (RJ), Rodrigo Novack (SC), Rafael Happke (RS), Rafa Sales (BA), Rayza de Mina (DF), Robson Ferreira (MG), Romário Batista (ES), Rafael da Luz (PA), Raul Dantas (SP), Ronaldo Ferreira (DF), Sabiá (MG), Sandra Resende (SP), Suzana Amorim (BA), Salete Lottermann (PR), Tina Melo (BA), Vitória Vatroi (PE), Véa (RN), Vadu Rodrigues (Cabo Verde), Xavas (SP), Welket Bungué (Guiné-Bissau/Portugal), Walkyria Novais (PR), William Trapo (GO), Yasmin Cerqueira (ES).

Bienal Black Brazil Art

Site oficial: blackbrazilart.com.br | Facebook: /BlackBrazilArt

Instagram: @bienalblackbrazilart | Twitter: @blackbrasilart | YouTube: /BlackBrazilArt

Sobre Patricia Brito

Patricia Brito é historiadora, museóloga, curadora e crítica de arte (Porto Alegre, RS). Fundadora da Bienal Black Brazil Art e do Instituto BBA, é pesquisadora vinculada à Cátedra de Pesquisa do Canadá, curadora convidada da Bienal Af-flux de Montreal 2028 e co-organizadora da Residência Marrom de Halifax 2026/2027.

Integra o Mapa de Curadores Negros do Brasil, a ABCA, a IAWM e a REBRAC. É autora do livro “Casa Grande Sem Senzala” e indicada ao Prêmio Açorianos 2021. Sua prática curatorial articula perspectivas descoloniais, arte contemporânea e diálogos afro-diaspóricos transnacionais.

Sobre a Bienal Black Brazil Art

A Bienal Black nasceu em Porto Alegre (RS) em 2019 – e isso, por si só, já é uma declaração. Surgida num estado cuja narrativa dominante historicamente apagou e invisibilizou sua população negra, a BB surgiu de dentro dessa contradição para afirmar que a arte afrodiaspórica brasileira não tem endereço fixo, nem pede licença para existir onde quiser. A terceira edição aconteceu durante a pandemia (2022) em formato online, enquanto a quarta edição (2024) ocupou a capital carioca.

Desde a primeira edição, a Bienal tomou a decisão estrutural de itinerar. A BB escolheu se mover pelo país, chegando não como um evento de fora que visita – mas que se reconstrói com o que encontra, que escuta o que a produção local tem a dizer e a coloca em diálogo direto com o circuito internacional. É um modelo que entende a descentralização não como política afirmativa de fachada, mas como condição para que o evento seja, de fato, o que diz ser.

A 4ª edição em Recife (2026) é a continuidade desse percurso: o maior evento periódico de arte contemporânea de recorte afrodiaspórico do Brasil chegando a Pernambuco com a mesma proposta que o fundou – fazer da arte negra não um tema de nicho, mas o centro de um debate estético, histórico e político que diz respeito ao país inteiro.– 

Fonte: Isidoro B. Guggiana – Assessoria de Imprensa

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