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Rede Conexão Povos da Floresta alcança 2 mil comunidades conectadas na Amazônia Legal

Em pouco mais de dois anos, projeto em rede já beneficiou mais de 160 mil pessoas, fortalecendo a conservação de 120 milhões de hectares de floresta

Rede Conexão Povos da Floresta alcançou nesta quarta-feira, 22/10, a marca de 2 mil comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhas conectadas em toda a Amazônia Legal. A iniciativa, formada por mais de 50 organizações e liderada pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), já beneficiou mais de 160 mil pessoas nos territórios tradicionais da região.

Mais um território da floresta se conectou com a instalação de um kit de conectividade do projeto na comunidade Piquiazal, localizada no Assentamento Extrativista Piquiazal, em Mazagão (AP). Cada nova comunidade beneficiada vai além da conexão à internet, e fortalece também o acesso à saúde, à educação, a ferramentas de proteção territorial, entre outras ações da rede.

“A chegada do projeto é um marco importante na nossa comunidade, porque agora podemos melhorar a qualidade do nosso atendimento de saúde e também agora podemos trabalhar com eletrocardiograma (ECG) e com a telemedicina, que antes não era possível porque não tinha internet”, afirmou Suzan Rayra, moradora e diretora da unidade de saúde da comunidade.

Rede construída a muitas mãos

A Rede Conexão Povos da Floresta é uma iniciativa conjunta construída por mais de 50 parceiros, entre organizações da sociedade civil, instituições, fundações e empresas. A meta é conectar em rede, por meio da internet banda larga, mais de 1 milhão de pessoas em 9,5 mil comunidades mapeadas em territórios protegidos na Amazônia Legal. Mais do que conexão à internet, a Rede promove a inclusão digital, fortalecimento comunitário e o protagonismo dos povos da floresta.

“Conectar os povos da floresta é fortalecer quem mais protege a Amazônia”, destaca Toya Manchineri, coordenador-geral da COIAB. “As comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas são responsáveis por conservar mais de 120 milhões de hectares de floresta. A conectividade potencializa esse papel e amplia o acesso a direitos básicos.”

Para José Carlos Galiza, liderança da CONAQ, a expansão da rede representa também a consolidação de uma aliança histórica entre os povos da floresta. “A Rede Conexão tem criado pontes entre territórios e organizações, gerando formação, empreendedorismo e união entre os guardiões da floresta.”

“Cada nova comunidade conectada é também um território mais fortalecido na defesa da floresta. A conectividade tem permitido ampliar o acesso à políticas públicas e a direitos entre os povos da floresta”, ressalta Joaquim Belo, secretário do CNS.

Conectividade significativa

Mais do que levar internet, a Rede Conexão Povos da Floresta trabalha para que a conectividade seja uma ferramenta de transformação social. Para isso, o projeto atua com base em três pilares: o primeiro pilar é a instalação dos equipamentos de conectividade e energia necessários para criar redes locais conectadas à internet de banda larga; o segundo pilar, de controle comunitário, envolve a implementação de sistemas de gestão da rede em cada comunidade, respeitando suas realidades, demandas e modos de vida; e o terceiro pilar, de inclusão digital, conta com programas voltados para áreas como saúde, educação, empreendedorismo, proteção territorial, energia, cultura e ancestralidade, protagonismo feminino e outras prioridades definidas pelas próprias comunidades.

Na frente de inclusão digital, os programas se organizam em grupos de trabalho e oferecem diversas ações para as comunidades, como a telessaúde, que possibilita a realização de consultas online, e o curso de Sabedoria Digital, que forma facilitadores locais para usar a tecnologia de forma segura e consciente.

Fonte: Up Comunicação Inteligente – Emanuelle Aráujo

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