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País que mais mata trans, Brasil teve 80 assassinatos transfóbicos no 1º semestre de 2021

O Brasil teve 80 pessoas transexuais mortas no primeiro semestre de 2021. Os dados divulgados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) tomaram como base reportagens e relatos de organizações LGBTQIAP+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queers, Intersexuais, Assexuais, Pansexuais) já que não existem pesquisas oficiais e atuais sobre a morte por transfobia.

Bruna Benevides, responsável pela Secretaria de Articulação Política da Antra, e Sayonara Nogueira, presidente do Instituto Brasileiro Trans de Educação (IBTE), assinam o documento.

Entre as vítimas computadas estão Keron Ravach, de 13 anos, assassinada a pauladas em janeiro, no Cearáa, por um garoto de 17 anos. Ela é a vítima mais jovem na história do monitoramento que é feito pela Antra há quatro anos.

© Gabriela Rassy

Criança trans de 13 anos foi assassinada após ser submetida a fazer programa

Recentemente, o caso de Roberta da Silva, de 33 anos, agredida no Recife por um suspeito também menor de idade chamou a atenção. O transfóbico ateou fogo em Roberta que até hoje está na UTI e já precisou ter parte de seus braços amputados.

“É preciso riscar a navalha no chão. É daqui pra adiante. Não estamos dispostas a negociar nossas vidas. Já ultrapassamos o limite do intolerável”, diz o documento da Antra.

No levantamento de 2020, a Antra contabilizou 175 travestis e mulheres transexuais assassinadas. O número representa uma alta de 41% em relação ao ano de 2019. Na época, foram registrados 124 homicídios. Os números nos rendem o triste título de país que mais mata transsexuais no mundo.

Os estados com o maior número de casos também se repetem: Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. 

Ao mesmo tempo em que o Brasil lidera as mortes de pessoas trans, o país sustenta a liderança de consumo de pornografia trans. O primeiro ano que o brasileiro mostrou sua bizarrice machista foi em 2016, quando o RedTube nos colocou no topo dos interessados por vídeos pornográficos protagonizados por transsexuais.

O relatório de 2018 do PornHub mostra ainda que a busca mundial por pornografia trans aumentou 167% entre homens. Em 2019, o Brasil ocupou a 11ª posição em acessos na plataforma. O pódio chega representado um crescimento surpreendente de 98% na tendência de busca pelo termo transgender, sendo o número mais alto registrado em todo o mundo.

Nos falta muita consciência e respeito. Mas certamente uma boa dose de terapia não cairia mal. Pessoas trans não podem seguir pagando pelas péssimas construções sociais que as pessoas seguem alimentando.

Publicado por hypeness

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