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‘Guerreira peshmerga’: brasileira morta na Ucrânia havia lutado contra Estado Islâmico no Curdistão iraquiano

Thalita do Valle, brasileira que morreu em combate na Ucrânia na última sexta-feira, junto com Douglas Búrigo, tinha experiência em atuar em áreas de risco, seja provocado por guerra, como no Curdistão iraquiano (região autônoma), ou por desastres ambientais, como em Brumadinho e Petrópolis. Estes pontos foram apenas alguns para onde a ativista foi nos últimos anos. Nas redes sociais, ela compartilhava um pouco de seus trabalhos, como num vídeo publicado no YouTube em setembro de 2019, em que mostra um front de batalha no Iraque, a partir da localidade controlada pelos peshmergas, uma classificação que ela usava para se identificar em sua descrição no TikTok. Este termo diz respeito às forças armadas dos curdos, que lutaram contra o Estado Islâmico, e significa algo como “aqueles que encaram a morte”.

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— Minha irmã era uma progressista genuína — disse ao GLOBO Théo Rodrigo Vieira.

Outra postagem de Thalita, feita também em setembro de 2019, mostra um momento de interação dela com crianças yazidis atingidas pelo conflito:

Diante da notícia de sua morte, amigos e parentes lamentam o ocorrido nas redes sociais e relembram as boas ações de Thalita, como suas participações nos resgates em Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, onde barragens foram rompidas e uma enorme quantidade de lama varreu o que estivesse pelo caminho, e também em Petrópolis, na região serrana do Rio, atingida por fortes chuvas que provocaram deslizamentos de terra e desabamento de casas.

“Thata do Vale. Enorme em sua bondade, em sua beleza, sempre pronta para cumprir suas missões humanitárias, para ajudar o próximo, ajudar animais e pessoas. Lá estava ela em Mariana, Brumadinho, Petrópolis, Rio de Janeiro, Irã, Curdistão… e em sua última missão na Ucrânia. Combateu o bom combate até o fim de sua jornada na Terra. Vai em paz, querida, sua luz nunca será apagada de nossas memórias”, compartilhou uma amiga da brasileira, junto de fotos das duas juntas.

Em Brumadinho, Thalita trabalhou no resgate de animais, presos ao lamaçal que se formou. Conhecido por atuar na defesa dos animais, o Delegado Bruno Lima, deputado estadual em São Paulo, foi outra pessoa que se despediu de Thalita num post no Facebook.

“Perdemos uma grande amiga e protetora dos animais lutando na Ucrânia. Mísseis russos atingiram o alojamento onde Thalita estava, em kharkiv. Descanse em paz, parceira. Você fez a diferença nessa terra para muitas pessoas e animais”, afirmou.

A morte na Ucrânia

Thalita e Douglas foram mortos durante um ataque das forças russas à cidade de Kharkiv, a segunda maior da Ucrânia. Segundo relatos de outros brasileiros que faziam parte do mesmo pelotão, o abrigo onde eles estavam escondidos foi alvo de um bombardeio, e o grupo teria fugido para um bunker. No local, no entanto, Thalita teria morrido por asfixia após um incêndio resultante de novo ataque inimigo, enquanto Douglas teria sido atingido por morteiros e estilhaços, além de sofrer queimaduras, enquanto tentava resgatar a colega.

“Luto, por meus dois amigos que tombaram na Ucrânia. Thalita fazia logística e dava apoio na área de saúde. Douglas Búrigo morreu tentando salvá-la. Os dois morreram pensando mais no próximo que em si mesmos. Deus os receba em sua mansão celestial”, publicou Fábio Júnior de Oliveira, brasileiro voluntário no exército ucraniano, em uma rede social.

Sandro Silva, outro brasileiro voluntário no exército ucraniano, afirmou que está à frente de um pelotão com dezenas de latinos, entre eles nove brasileiros. Segundo Sandro, Thalita e Douglas estavam há pouco tempo no grupo, mas já tinham “feito a diferença”.

“A gente estava em uma residência de segurança, e, infelizmente, foi atingida. A gente correu para dar socorro. Eu fui para um lado, a Thalita foi para o outro, mas depois a gente acabou se encontrando, teve um incêndio, e a Thalita ficou num bunker, com muita fumaça, e ela acabou asfixiando. A gente conseguiu removê-la intacta, com o corpo inteiro, pequenas queimaduras na mão, mas ela asfixiou. Já o Douglas, infelizmente, ele voltou para dentro da casa, ele foi atrás dela e não conseguiu sair. Ele foi alvejado com um morteiro, então, vários estilhaços pegaram nele, e algumas queimaduras também. Então, os dois foram evacuados, os dois estão numa região de necrotério, o exército já está cuidando, junto com a família. Eles vão providenciar a repatriação dos corpos”, detalhou.

Procurado, o Itamaraty ainda não se pronunciou sobre as mortes dos brasileiros. O contato por e-mail da Embaixada do Brasil na Ucrânia também foi procurado, mas não enviou resposta até o momento.

Publicado por O Globo

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