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Cerimônia de abertura dos Jogos de Tóquio passa mensagem de defesa da inclusão e da igualdade

Apesar do já esperado esvaziamento do evento por causa da pandemia, o Japão e o COI (Comitê Olímpico Internacional) usaram a cerimônia de abertura dos Jogos de Tóquio, nesta sexta-feira, 23, para enviar uma forte mensagem ao mundo de luta por igualdade, inclusão e respeito às diversidades. Foram vários os recados que a cerimônia passou nesse sentido, mesmo que o próprio Japão tenha uma série de problemas relacionados a esses assuntos.

País que atualmente ocupa a posição 120 de um ranking com 156 nações sobre igualdade de gênero feito pelo Fórum Econômico Mundial, o Japão se tornou nesta sexta-feira palco da primeira Olimpíada na qual mulheres e homens puderam carregar juntos a bandeira nacional no desfile de abertura. O Juramento Olímpico também foi atualizado para os Jogos de Tóquio e, pela primeira vez na história, os jurados se reuniram em defesa da inclusão, da igualdade e da não discriminação.

Em mais um esforço para promover a igualdade de gênero, três duplas masculinas e femininas fizeram o juramento em um vazio Estádio Olímpico, sem torcedores nas arquibancadas após veto dos organizadores ao público por causa do aumento de casos de covid-19 no Japão nos últimos meses.

Nesta sexta-feira, parte da população japonesa se mostrou dividida em relação à realização dos Jogos. Ao mesmo tempo que houve protesto de um pequeno grupo no dia da cerimônia, e também do lado de fora do estádio – em alguns momentos era possível ouvir gritos dos manifestantes -, havia outro grupo que queria tirar fotos dos credenciados que chegavam ao palco da abertura e balançavam bandeiras. Favoráveis aos Jogos, eles queriam estar dentro da festa.

O Japão espera que os Jogos de Tóquio 2020 se transformem em um ponto de virada na sociedade do país no que diz respeito à diversidade e ao entendimento das questões LGBTQ no País, por exemplo. A própria organização da Olimpíada foi marcada por polêmicas sexistas. Por isso, a cerimônia tinha um peso importante nesse desafio imposto aos organizadores.

“Depois de mais de meio século, os Jogos Olímpicos voltaram a Tóquio. Agora faremos tudo ao nosso alcance para tornar esses Jogos uma fonte de orgulho para as gerações futuras”, discursou a presidente do Comitê Organizador, Hashimoto Seiko, em referência à edição de 1964.

Thomas Bach, presidente do COI, usou o seu discurso para dizer que a Olimpíada pode unir o mundo. “É um momento de esperança. Sim, é muito diferente do que todos nós tínhamos imaginado. Mas vamos valorizar este momento porque finalmente estamos todos aqui juntos. Este é o poder unificador do esporte. Esta é a mensagem de solidariedade, a mensagem de paz e a mensagem de resiliência.” 

Pode-se dizer que o evento não teve luxo nem muitos recursos tecnológicos, mas foi bastante emocionante. Ao som de músicas de jogos de videogame, a Grécia abriu o desfile das delegações por ser fundadora dos Jogos na antiguidade e a ordem de entrada dos países seguiu de acordo com o alfabeto japonês. Assim, o Brasil foi a 151.ª delegação a entrar no Estádio Olímpico de um total de 206 países. As placas com os nomes das nações copiavam balões de fala de quadrinhos de mangá.

Para evitar riscos de contaminação, o Time Brasil participou da cerimônia representado pelo número mínimo exigido de atletas e oficiais: os porta-bandeiras Bruninho (vôlei) e Ketleyn Quadros (judô), além do chefe de missão Marco La Porta e da representante dos colaboradores do COB (Comitê Olímpico do Brasil) Joyce Ardies. Os dois atletas ainda aproveitaram para sambar na passarela do desfile.

O Brasil não foi exceção, mas quase a totalidade dos demais países levaram delegações muito mais numerosas ao Estádio Olímpico. Os Estados Unidos, por exemplo, foram à abertura com cerca de 200 atletas entre os 600 integrantes da sua equipe.

Antes de o imperador do Japão, Naruhito, declarar os Jogos oficialmente abertos, a questão da sustentabilidade também esteve representada na cerimônia. A pira olímpica, simbolizada pelo Sol em cima do Monte Fuji, foi acesa pela tenista Naomi Osaka e, pela primeira vez, será abastecida por hidrogênio para reduzir a emissão de poluentes.

EMOÇÃO

Um dos momentos mais marcantes do evento ocorreu logo no início. Depois de vídeos de atletas treinando em casa serem exibidos nos telões, as dificuldades enfrentadas pelos esportistas por causa da pandemia foram retratadas por Arisa Tsubata, boxeadora japonesa que também é enfermeira e tratou pacientes com covid-19.

A pugilista surgiu no meio do Estádio Olímpico correndo silenciosamente em uma esteira, cercada por outros atletas solitários, conectados apenas por projeções de luz que buscavam representar um “vínculo invisível”. Tsubata tinha o sonho de se classificar para a Olimpíada, mas seus planos foram interrompidos após a última classificatória do boxe ser cancelada devido à pandemia.

A entrada da bandeira olímpica também prestou homenagem aos atletas que atuaram no combate à pandemia com a escolha de seis atletas que exerceram serviços considerados essenciais para carregar o símbolo dos Jogos.

A execução de “Imagine”, música de John Lennon e Yoko Ono, enquanto uma frota de 1.824 drones pairava sobre o Estádio Olímpico formando uma impressionante versão tridimensional do logotipo da Tóquio-2020 e, em seguida, um globo terrestre, foi outro momento bastante emocionante.

Entre as várias referências à cultura japonesa, os organizadores ainda fizeram questão de dar destaque à madeira da tradicional arquitetura do país. Primeiro com dançarinos vestidos como carpinteiros trabalhando em grandes mesas e, na sequência, com a construção no centro do gramado do símbolo dos Jogos a partir de anéis gigantes de quatro metros de diâmetro feitos de madeira de árvores plantadas por atletas de cada um dos países participantes da Olimpíada de 1964, também realizada em Tóquio. Naquele ano, os atletas de cada nação participante trouxeram sementes a Tóquio para serem plantadas como árvores comemorativas.

Publicado por ESTADÃO

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